21.8.14
casa V
quando eu era pequena, ficava nas pontas dos pés para alcançar aquele microfone que eu imaginava estar na minha frente, me desafiando. na verdade, era só o registro do chuveiro que se transformava e amplificava minha pequena voz. na verdade, era só o eco acústico daqueles azulejos de girassois. na verdade, nem são girassois, são margaridas amarelas que se transformavam diante de mim, e abriam um jardim no meio do banheiro. pequeno. agora que sou grande, me restaram somente as margaridas, pois o registro já não tem mais graça (lavo meu corpo e meu umbigo é um espelho da alma). de dia, entra sol, à noite, apago a luz. me sinto. às vezes fria, às vezes quente, às vezes morna.
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