a estante era laranja, de ferro.
depois, ficou verde.
ficava de frente pra janela.
depois, ficou madeira, de frente pra porta. desenhada por pai.
ali, vinis, livros, fotos, gatos, bibelôs, tv, panos de mesa, baralho, cds, dvds, fitas cassete, compactos, VHS, a história da tecnologia doméstica, a história de Florânia, desenhos de pai, plantas de mãe,
tudo para o encontro, o entretenimento, a janela aberta.
janela era branca, de levantar.
depois, ficou madeira. de abrir sempre, de fechar nunca. nem dá.
sofás só fazem flutuar, cochilar, dormir, morrer.
no sofá, minha mãe morreu, com a cabeça no meu colo, nessa sala. e nessa sala,
ela muito viveu. morreu uma vez, viveu inúmeras.
violão, música, muita música nessa sala.
música pra comer, música pra faxinar, música pra amar,
música pra regar plantas de mãe, de dinda, minhas.
agora, antes, mais tarde, e nós aqui. mulheres daqui.
acho que sempre teve rede. e só fui cair dela com 29 anos.
vim com 4. e acho que sempre teve rede.
quase sempre teve gatos. sempre teve eu.
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