1.4.14

seres editáveis
meditemos
sobre como sairemos
dessa cela solitária
porque um já não se basta
e o outro quer nos ver
porque nem tudo que passa
tá passando na tv

seres confortáveis
tomara que se liguem logo
no rastro químico
na falta de rima
e nas histórias contadas boca-a-boca
ouvido-a-sentido

meditemos
sobre quando sentiremos
o estalo das estrelas
eu sempre procurei os bichos
eu sempre catei meus grilos

mastigo minhas memórias

não sou acumuladora
sou colecionadora
sempre que eu passo pela Aldeia
pêlo arrepia, perna bambeia
sempre que eu passo pela Aldeia
mente desloca, alma arrudeia
sempre que eu passo pela Aldeia
palavra falta, razão passeia
sempre que eu passo pela Aldeia

oásis ruína
resto de nós
cidade rachadura
abre em seco seus clarões

e mesmo que tudo vire areia
maré se vinga
vai vazia, volta cheia

severus em luto
bico negro
sobrevoa, calado
nossos leilões
pode até ser que tudo acabe um dia.
que vire pó, evapore todo pensamento
e a atmosfera se encha de ideias.
chove novo tempo.
temporal.

cometa

lua nova e sol laranja
tudo parece fazer sentido

mas a plenitude é um
rastro de cometa que
passa voando rápido e
absoluto

prestar atenção é perdê-lo
dois pólos
antônimos de ânimos
amores e sabores no dia
humores e rubores na noite
discutem suas vontades
me pego parada escutando
me pego sentada cantando
me pego andando
Fogo em mim
Queimei, passei do ponto
Bem passada em agonia
Meu passado em banho-maria
Eu evaporo efervescente
E borbulho pro futuro

Passei do ponto
Monstro-farelo
Criatura tua
Memória e esquecimento
Crise de representatividade
E minha cara-dura-de-pau