29.6.10

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busco incessantemente a espontaneidade do não dito.
as correntes, os afluentes e os acidentes de percurso.
por que não escolher a vida?
e era exatamente disso que se tratava.
quando sobra palavra,
não sobra espaço pro frio na barriga.
aquilo que não se descreve.. formigamento, catarse.
isso agora, aqui, pronto, já foi.
não gosto de ficar. gosto de ir junto.
a plenitude de ser fenômeno,
assim na arte, assim na natureza.
e assim somos,
sejamos sujeitos do agora.


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Now playing: Alessandra Leão - Boa Hora
via FoxyTunes

3 comentários:

Luanne Araujo disse...

mas será que... frio na barriga vem do silêncio que pressupõe engano? por que as pobres palavras - por que não sinceras? - acabam com a magia? choque de realidade? denúncia da incomunicabilidade?

gosto dos seus pensamentos, dona bel. este em especial casou com algumas reflexões que andaram rondando minha cabeça nos últimos dias...

Unknown disse...

controlar, explicar, entender, projetar.. cansa às vezes.

difícil conviver com a incomunicabilidade, mas mais difícil é se entregar à magia, ao surreal, ao fantasioso, ao frio na barriga.

são momentos em que as palavras, por mais sinceras que sejam, parecem perder totalmente o sentido. são momentos em que o silêncio não pressupõe nada, e portanto pressupõe tudo.

duas posturas diferentes.

o controle passa a ser a vontade. e a vontade pode vir consciente, não falo de impulso.. falo de fenômenos, e de saber pensá-los como o agora de nossas vidas.

adoro, Lu. continuemos trocando figurinhas..

Unknown disse...

“Nosso mundo não gosta da aposta, do acaso, do risco, do engajamento. É um mundo obcecado pela segurança, é um mundo onde cada um deve, o mais cedo possível, calcular e proteger o seu futuro. É um mundo da carreira e da repetição. Um mundo onde o acaso é perigoso. Um mundo onde não devemos nos abandonar aos encontros. Um mundo onde é preciso ter uma tática de vida e onde não se deve, sobretudo, apostar sua própria existência.”

(Alain Badiou, Para uma nova teoria do sujeito”, in Situação da filosofia no mundo contemporâneo)

obrigadas mil à Ju Franklin pela citação.