Mova-se, engatinhe.
O mundo já existe, e você veio a ele sem pedir. Aprenda, aprenda tudo, sem voltar nenhum espaço. Aproveite. Ainda não puxou as cartas da cobrança, da desconfiança e da pressão. Brinque, bagunce o tabuleiro. Esse jogo é antigo, mas pra você está só começando.
Jogue os dados.
Mova-se, ande.
Você caiu na casa da adolescência, você acha que é gente grande. O jogo te parece confuso e injusto. Não tente avançar espaços ou jogar os dados de novo. Se for esperto, use todas as suas cartas. Aposte, questione, experimente. Pegue dez cartas e as queime, em sinal de rebeldia. Se uma delas for de amor, volte duas casas e tire a carta da "primeira desilusão amorosa". Suas lágrimas provavelmente vão apagar a fogueira que fizera.
Jogue os dados.
Mova-se, dance.
Pegue uma ficha da infância e uma da adolescência, pra que você se lembre que aprendizado e experimentação não devem ser descartados nunca. Entre na passagem secreta para o jogo-paralelo. Nele, não há regras. Jogue os dados de novo, jogue quantas vezes for necessário. Puxe cartas novas. Descubra o vício, o sexo, o caos, o êxtase. Fique nessas casas o tempo que precisar, você vai sentir saudade depois.
Jogue os dados.
Mova-se, corra.
Sua cabeça agora começa a doer. Seu corpo dói, e jogar dói também. Use suas fichas de aprendizados e experiências. Agora, não é mais com a sorte que você joga. Suas escolhas fazem você andar casas - pra frente ou pra trás. Seu pino deixou rastros no tabuleiro e seus colegas de jogo se tornaram competitivos. Troque esse tabuleiro por um de "Banco Imobiliário" e padeça com moderação.
Jogue os dados.
Mova-se, caia.
Caia na casa do descanso. Jogue todas suas cartas fora, pois você já se cansou delas. Seus colegas já não lembram mais a cor do seu pino, e você já não lembra mais quantas casas teve que percorrer para chegar ao fim do jogo. As regras nunca fizeram muito sentido mesmo.
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Now playing: Lizz Wright - This Is
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