18.2.14

faxina

das células aos céus
extensões de fios de nós
espelhos de dentro pra fora
e vice-versa, tanto faz
o que me toca, toca o mundo inteiro
e o mundo inteiro toca em mim
sou a toca que habito
cascas, camas, casas, caos
o que me tem, tenho também
e tanto faz, vice-versa
dos pêlos aos planetas
faço aqui
porque lá certamente o faria

20.12.13

como um sonho ruim

respirar só sim
likes selfies prozacs

respirar se não
dor de não saber

ser e nem ser
ter e perder
estar


like yourself

19.12.13

entre
o verbo e o verso
a sinceridade
o que vem do umbigo
e sai pro universo

vontade de verdade
vento de pulmão
querer e dizer
comunicação
palavra emana
dor de não saber
ser senão
ou nem ser
estar

tá tudo muito raso
vapor de água
dá e passa
soprar
pra sobrar
entre tanto falar


1.12.13

mar é mar

e o que será depois?

e qual sertão virá?
seu rosto no espelho
espremo
posto extremo oposto
estranhas pausas de tempo
dentro oco

seu gosto na pele
pelejo
mostro a parte oculta
a face falsa primeira
você não quer ver
vontade
vento de pulmão
verdade que dá e passa

viagem
te chama explosão
voltar não

voltagem
chama e combustão
voltar não
as cidades me machucam
machucam machucam
em pancadas e estalos
não amo o outro
lado-a-lado
com o outro
bate a assopra
assopra e bate mais
é a queda livre
é o coro grego
é o grito preso

as cidades me resolvem
resolvem resolvem
em soluços de susto
suspensos de dentro
transtornos dissonantes
de dentro
engole pra cuspir
cospe pra engolir
é a mastigação
é o tiro pela culatra
é a saída de emergência

as cidades me comovem
comovem comovem
em camadas gasosas
nos entres de sempre
contínuos distúrbios
de sempre
constrói pra destruir
destrói pra construir
é a dança do Sol
é o auto-sacrifício
é o teto preto

ela me divide
ela me comove
ela me machuca
ela me resolve