24.9.12


e o bueiro estourou, os poros respiraram, o asfalto murchou. abriram-se artérias, buracos, cortes, o asfalto sangrou. difícil é qualquer rompimento. a cidade agoniza, explode, grita alto. e eu grito alto também. ainda mais quando não há gás pro meu chá de hortelã.

13.9.12

curva no trajeto

 
de tão perfeito, é torto
é todo solto, sem jeito
de tão imenso é ponto
pouca causa e muito efeito
pouco caso com os quadrados
fim de linha, ângulo reto
sem defeitos, tudo certo
não giram nem ficam tontos
bom é curva no trajeto
traço livre, peito aberto
depois do salto, mergulho
de tanto barulho, silêncio
de tão longe, fica perto

10.9.12

aqueles edifícios estão
por um fio
mas isso
não é motivo para fugirmos
nem pra ficarmos
esse é o próximo passo
pensar

aqueles elefantes estão
distraídos

por isso
preferem ser surpreendidos
ou atacados
esse é o passo anterior
dançar

1.9.12

pra gente

cante aí pra gente
uma música de lua
de herói, de aventura
acorde a voz
cante aí
vai
cante
em tom lilás
entone e tome
mais
entorne um tema
uma música sua
cante aquele dilema
que é da gente
cante aí
vai
cante aquele dilema
que é da gente

31.8.12

ainda bem que meu celular é vagabundo

passei mensagens lendo todas as tardes inteiras que trocamos ao longo da vida.
troquei tardes passando todas as mensagens longas que lemos a vida inteira.
li vida longa trocando inteiras mensagens de todas as tardes que passamos.

28.8.12

ovos

hoje eu pus ovos
um após o outro
saindo de mim
espalhei ovos por toda a casa
eram muitos
que alívio!
até que, do nada
eles pararam de sair
e começaram a sumir
na mesma velocidade em que vieram
ou até mais rápido

não sei
se algum dia porei
ovos de novo
mas acho que gostei da novidade

18.8.12

sem tanto limite

 limite
-se àquilo que emite
sentido ou
imite
ser tudo
se tudo é aquilo que é mudo
sentido, ouvido, intuito
intenta e repete muito
sem tanto limite

16.8.12

timeline (igual-ou-menor-que)

embrulho de julho ≤ desgosto em agosto ≤ sem tempo pra setembro

big bang

átomos de terno e gravata
cheiro de carne e alma
disfarce pra boi dormir
o pé pisa no sapato
que pisa no azulejo
que pisa no tijolo
que pisa no concreto
que pisa no esgoto
que pisa em mais esgoto
que pisa na terra

enfim, chão
cheiro de clara e gema
três, dois, um
explode feliz