assim sucede aquele instante de catarse onde nada faz sentido ao mesmo tempo vem o vento movendo removendo em sua disritmia sincera soprando nossos pensamentos soprando mais forte que nós mais longe que nós que buscamos sentido no movimento da natureza dentro de nossas estranhas armaduras enferrujadas
fascinante solidão buraco negro de vontades perdidas a distância entre mim e mundo o mundo inteiro em mim a plenitude em si nesse abismo de ecos e egos se encontram as saudades se encaram as angústias sem saída em ninguém
tenho um sonho ali onde os monstros vivem dentro do armário escuro debaixo do tapete da memória ele me chama, sussurra sutilmente meu nome em meio aos ácaros e roupas jogado às traças e à poeira meu sonho distante de minha coragem