1.12.13

mar é mar

e o que será depois?

e qual sertão virá?
seu rosto no espelho
espremo
posto extremo oposto
estranhas pausas de tempo
dentro oco

seu gosto na pele
pelejo
mostro a parte oculta
a face falsa primeira
você não quer ver
vontade
vento de pulmão
verdade que dá e passa

viagem
te chama explosão
voltar não

voltagem
chama e combustão
voltar não
as cidades me machucam
machucam machucam
em pancadas e estalos
não amo o outro
lado-a-lado
com o outro
bate a assopra
assopra e bate mais
é a queda livre
é o coro grego
é o grito preso

as cidades me resolvem
resolvem resolvem
em soluços de susto
suspensos de dentro
transtornos dissonantes
de dentro
engole pra cuspir
cospe pra engolir
é a mastigação
é o tiro pela culatra
é a saída de emergência

as cidades me comovem
comovem comovem
em camadas gasosas
nos entres de sempre
contínuos distúrbios
de sempre
constrói pra destruir
destrói pra construir
é a dança do Sol
é o auto-sacrifício
é o teto preto

ela me divide
ela me comove
ela me machuca
ela me resolve
faz o teu
esquece quem não quer fazer
fato é que permanece
escuro
aquilo que pretendia esclarecer
mas pretensão pra quê?
a confusão é combustão
paixão e gasolina
infla
esvazia
acalma
alucina
explode feliz esse mundo
que o outro já quer nascer
umbigada bigbang

junho



é

muito motivo, parece

que faz girar o motor

tudo se move, se mexe




é

que faz sentido essa prece

vai transformar em tambor

a pele dura da pele




a gente ainda anda, bem ou mal

apesar de tudo

que tanto tenta fazer parar




as avenidas são as mesmas

e foi tão longo junho
o homem não suporta o mundo que o homem inventou
o homem não se importa muito
o homem fecha a porta mudo chama o elevador
o homem não quer ficar junto
o homem dorme bem profundo sem despertador
o homem não tem mais assunto

pela cabeça de pedra do homem

talvez saiam ideias suaves em tempos de guerra
e os deuses mentirosos
em seus barcos luxuosos se encontrem enfim com o mar
e a ciência vai inventar
tudo de novo, só que mais belo