a nuvem cinza
ainda vem às vezes
e pára sobre mim
insiste em me regar
até esvaziar-se
e virar sopro.
nem ligo mais
5.9.13
24.5.13
de corpo e alma
tô de boca fechada
tô de olhos vidrados
tô de dedos cruzados
tô de dedos cruzados
tô de mãos abanando
tô de queixo caído
tô de pés descalços
tô de pés descalços
tô de cabeça quente
tô de pernas bambas
tô de alma lavada
16.4.13
bem-vindo
te culpam, bem-vindo.
pacote curto
nasceu,
já tem idade
pra ser penalizado
por tudo
que já veio e que tá vindo.
te recepcionam.
percebe mundo, bem-vindo.
cresceu,
já tem coragem
pra ser contrariado
e te prendem.
pequeno mudo,
berra sem voz.
se veio, bem-vindo.
já é mais um
pra ser humano
caindo
bem-
vindo.
pacote curto
nasceu,
já tem idade
pra ser penalizado
por tudo
que já veio e que tá vindo.
te recepcionam.
percebe mundo, bem-vindo.
cresceu,
já tem coragem
pra ser contrariado
e te prendem.
pequeno mudo,
berra sem voz.
se veio, bem-vindo.
já é mais um
pra ser humano
caindo
bem-
vindo.
9.4.13
tentativa
tenta
lenta e atenta
o talento tenta a dor
tentáculos de flor que brota
temas de sol
tem
mas acabou
sem óculos nem colírio
tenta
nem que só
letárgico martírio
tenta
ativa e atenta
o medo tenta a vida
lenta e atenta
o talento tenta a dor
tentáculos de flor que brota
temas de sol
tem
mas acabou
sem óculos nem colírio
tenta
nem que só
letárgico martírio
tenta
ativa e atenta
o medo tenta a vida
7.4.13
vende se
cuidado, meu bem
eles estão vendendo tudo
não vende seus olhos
não vendo sentido
só vendo fiado, falido, fudido
só vendo pra crer
o preço do céu
eles estão vendendo tudo
não vende seus olhos
não vendo sentido
só vendo fiado, falido, fudido
só vendo pra crer
o preço do céu
3.4.13
13.1.13
a duas mãos
equilibrando-se.
chão é tudo aquilo
que tá debaixo da cabeça.
daqui, vejo que qualquer coisa pode acontecer.
pisando com sutil leveza.
e nós aqui. há nós aqui.
quando a gente caiu, sabia que
do chão não passaria.
fendas, pequenos espaços, fundos, sem fim.
ou o fim já é a cabeça do outro.
é fácil se perder entre as brechas.
dependendo do tamanho e do tempo que elas existem.
desde que a gente olhou pra baixo pela primeira vez,
ganhamos esse medo de altura.
a pergunta é por onde escapar, se tudo
é tão chão. tão reto.
mas chão tem vida.
caminho tem vida.
com muito chão, se constrói a distância.
pisar aqui é como colocar
um ponto final.
chão é tudo aquilo
que tá debaixo da cabeça.
daqui, vejo que qualquer coisa pode acontecer.
pisando com sutil leveza.
e nós aqui. há nós aqui.
quando a gente caiu, sabia que
do chão não passaria.
fendas, pequenos espaços, fundos, sem fim.
ou o fim já é a cabeça do outro.
é fácil se perder entre as brechas.
dependendo do tamanho e do tempo que elas existem.
desde que a gente olhou pra baixo pela primeira vez,
ganhamos esse medo de altura.
a pergunta é por onde escapar, se tudo
é tão chão. tão reto.
mas chão tem vida.
caminho tem vida.
com muito chão, se constrói a distância.
pisar aqui é como colocar
um ponto final.
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