7.4.13

vende se

cuidado, meu bem
eles estão vendendo tudo
não vende seus olhos
não vendo sentido
só vendo fiado, falido, fudido
só vendo pra crer
o preço do céu

3.4.13

a classe classifica o clássico classificado
a ordem ordena o ordenado sórdido
são seitas sentidas, intimadas e íntimas
não aceitas sem acenos
sinceros
de querer

13.1.13

a duas mãos

equilibrando-se.
chão é tudo aquilo
que tá debaixo da cabeça.
daqui, vejo que qualquer coisa pode acontecer.
pisando com sutil leveza.
e nós aqui. há nós aqui.
quando a gente caiu, sabia que
do chão não passaria.
fendas, pequenos espaços, fundos, sem fim.
ou o fim já é a cabeça do outro.
é fácil se perder entre as brechas.
dependendo do tamanho e do tempo que elas existem.
desde que a gente olhou pra baixo pela primeira vez,
ganhamos esse medo de altura.
a pergunta é por onde escapar, se tudo
é tão chão. tão reto.
mas chão tem vida.
caminho tem vida.
com muito chão, se constrói a distância.
pisar aqui é como colocar
um ponto final.

11.12.12

tu

a roupa que tu me veste
a lente que tu me vê
a bolha que tu me envolve
a fé que tu não me crê

o tiro que tu me aponta
o verso que tu me lê
o peso que tu me sente
a fé que tu não me crê
(não lembro onde achei essa imagem)

criar o porquê
de ter que nascer, e mais

tão bom perceber
que esse nosso caos é cais

só de amolecer
você já sente que ficou pra trás

bom dia, poesia

bom dia,
poesia sem título
sem rima, sem palavra
bom dia,
poesia de descoberta
de lugar sem nome
poesias primeiras
letras de colapso
bom dia,
poesia pequena
instante de verso
pedaço de página

não sei te escrever
e prefiro continuar assim

2.11.12

deixou a porta aberta
saiu bem quieta
pra não despertar
a chuva não atrapalha
melhor que refresca
a febre que dá
ela faz esse caminho todo dia
mas dessa vez sente que quer chegar
a pedra que ela atirou enfim ecoou no lago de lá

23.10.12

como se desenha a saudade?

Botafogo

peguei minha colher pra garantir teu pedaço
tem gente que tá sempre caminhando
tem fogo que tá sempre queimando
e nós aqui
o tempo nos quer e a Real Grandeza passa
grande farsa do trono, da cama e da mesa
aquele moço que anda e risca o muro
e nós aqui

pra cada pensamento, uma contradição
para cada gesto, uma contração