11.12.12

bom dia, poesia

bom dia,
poesia sem título
sem rima, sem palavra
bom dia,
poesia de descoberta
de lugar sem nome
poesias primeiras
letras de colapso
bom dia,
poesia pequena
instante de verso
pedaço de página

não sei te escrever
e prefiro continuar assim

2.11.12

deixou a porta aberta
saiu bem quieta
pra não despertar
a chuva não atrapalha
melhor que refresca
a febre que dá
ela faz esse caminho todo dia
mas dessa vez sente que quer chegar
a pedra que ela atirou enfim ecoou no lago de lá

23.10.12

como se desenha a saudade?

Botafogo

peguei minha colher pra garantir teu pedaço
tem gente que tá sempre caminhando
tem fogo que tá sempre queimando
e nós aqui
o tempo nos quer e a Real Grandeza passa
grande farsa do trono, da cama e da mesa
aquele moço que anda e risca o muro
e nós aqui

pra cada pensamento, uma contradição
para cada gesto, uma contração

9.10.12

tipo folha de caderno


fissurinha de apertar dentes
cala o bico, calafrio
mania precoce de querer cangote
jeito apressado de chegar a noite
arrepio de bicho


agora não damos mais a guia na agência.
agora tem que gerar um login.
agora tem que imprimir direto do site, querida.



cê pode fugir nêgo
mas trate de chegar
não é aqui
não é ali
não é Allah
que vai te salvar

ilustre umbigo
buraco orgulhoso da barriga
de tanto olhar pra ti
pisei na formiga



átomos de terno e gravata
cheiro de carne e alma
disfarce pra boi dormir
o pé pisa no sapato
que pisa no azulejo
que pisa no concreto
que pisa no esgoto
que pisa em mais esgoto
que pisa na terra
enfim
chão
cheiro de clara e gema
três, dois, um
explode feliz



de tão perfeito, é torto
é todo solto, sem jeito
de tão imenso é ponto
pouca causa e muito efeito
pouco caso com os quadrados
fim de linha, ângulo reto
sem defeitos, tudo certo
não giram nem ficam tontos
bom é curva no trajeto
traço livre, peito aberto
depois do salto, mergulho
de tanto barulho, silêncio
de tão longe, fica perto



vou ficar distraída
pra primavera me pegar de surpresa



nãotropeçanapressadenuncaparar
sem trapaça nem peça pra tudo ter
lembra a lambança
lambe a lembrança
até dói, mas vai passar

antes da fuga
vem sempre
a loucura
aqui não tá bom, vai pra lá
ali não tá bom, vem pra cá
mudar toda hora
pode te dar
tontura



a cidade corre
como suas ruas
a cidade me divide
entre seus canais

ela me consome
come fome fungos,
seus sabores, suas cores
e ela pede mais

e eu chamo vida



"mesmo que os caminhos sejam dentro
o mundo é flor do pé do pensamento
mesmo que os caminhos sejam muitos
nós somos sempre a voz nunca o assunto

o dia passa sem nenhuma pressa
todo mundo dorme e depois desperta
quem não gosta mais da rede que da cerca?
quem não tem mais chão que teto?
quem não chove quando a chuva chega perto?

eu e você somos muitos
nossos nós sem nós
somos um
somos muitos
ao menos somos nós." (Paul)

24.9.12


e o bueiro estourou, os poros respiraram, o asfalto murchou. abriram-se artérias, buracos, cortes, o asfalto sangrou. difícil é qualquer rompimento. a cidade agoniza, explode, grita alto. e eu grito alto também. ainda mais quando não há gás pro meu chá de hortelã.

13.9.12

curva no trajeto

 
de tão perfeito, é torto
é todo solto, sem jeito
de tão imenso é ponto
pouca causa e muito efeito
pouco caso com os quadrados
fim de linha, ângulo reto
sem defeitos, tudo certo
não giram nem ficam tontos
bom é curva no trajeto
traço livre, peito aberto
depois do salto, mergulho
de tanto barulho, silêncio
de tão longe, fica perto

10.9.12

aqueles edifícios estão
por um fio
mas isso
não é motivo para fugirmos
nem pra ficarmos
esse é o próximo passo
pensar

aqueles elefantes estão
distraídos

por isso
preferem ser surpreendidos
ou atacados
esse é o passo anterior
dançar

1.9.12

pra gente

cante aí pra gente
uma música de lua
de herói, de aventura
acorde a voz
cante aí
vai
cante
em tom lilás
entone e tome
mais
entorne um tema
uma música sua
cante aquele dilema
que é da gente
cante aí
vai
cante aquele dilema
que é da gente