16.8.12

timeline (igual-ou-menor-que)

embrulho de julho ≤ desgosto em agosto ≤ sem tempo pra setembro

big bang

átomos de terno e gravata
cheiro de carne e alma
disfarce pra boi dormir
o pé pisa no sapato
que pisa no azulejo
que pisa no tijolo
que pisa no concreto
que pisa no esgoto
que pisa em mais esgoto
que pisa na terra

enfim, chão
cheiro de clara e gema
três, dois, um
explode feliz

11.8.12

e bate e volta e bat e volt e ba e vo eba é você

uma
dose
três perguntas fortes sem resposta
quatro efeitos distraídos sem causa
cinco estranhezas maravilhadas

os humanos estão acordando
depois de sonhos cínicos
um banho de água fria pode funcionar

seis passos mal dados
sete sentimentos ouvidos
oitenta tonturas de passado
novo
desejo

e bate e volta e bat e volt e ba e vo eba é você

5.8.12

figura
o estado das coisas
de alguns lugares elas vieram

soluções estalam
o estado daqui tá sem dono
o soluço daqui tá sem som

é verdade metade de tudo
evapora ou finge dormir
parece que pára mas continua

falta pouco proutro dia

30.7.12

passo a passo

sopapo
pesado
sentido
sem pensar
pé sujo
suado
pisada
sem sapato
passeio
sentado
passagem
sem pedido
posseiro
pessoa
soldado
super deus

si

cê pode fugir, nêgo
mas trate de chegar
não é aqui
não é ali
não é Allah que vai te salvar

tem tempo

tem tempo...
um pouco de terra
sincera
o Rio tá longe
mas tá tudo igual
perigosas escapadas
parece que mudam
e os sonhos dizem que não
tem tempo...
um pouco de asfalto
antigo
o rio passou
nem tudo mudou
casas abandonadas
parece que brotam
e os sonhos dizem que sim

28.6.12

quinta-feira de junho,

sonhei lugares loucos e longas aventuras, como sempre. o mundo, mil paisagens, pessoas, amigos, queridos e monstros. e no meio disso tudo, como sempre, mainha. que no fim, sempre se junta a mim. cantei "Drão" pra ela, enquanto vovós lavadeiras de Pernambuco faziam côro. o próprio Gil estava por ali, naquela mesma praia, mas longe de nós. aquela praia, cujo mar abrigava javalis gigantes que perseguiam os banhistas. mas tudo isso longe de nós, do lado de fora da tenda. do lado de dentro, só eu e mainha, na sombra de um lençol rosa envelhecido, sustentado por varas de bambu. "o amor da gente é como um grão".

25.6.12

tangente

o mago de alma nua
conhece pouco
do que sente pouco
sonha lucidez
real falcatrua

por entre as curvas
mira reto
levita, levanta o tempo
entre as luzes da pressa,
entre os vagões
vaga o louco e a promessa

fazer sua luz
ser sol
e dançar
fazer seu sol
ser luz
e dançar

tem tanta gente sem razão
tanta gente na tangente
imagina só imaginar