penso que o tempo é
aquela gaivota
voando sozinha sobre a Baía
eu poderia estar disponível
mas escolho a pausa
o ônibus que dá voltas
o vão central
a suspensão dos dias
de onde vêm esses navios
que aqui ancoram?
dormindo na água crespa
assistem, apenas
imóveis como as pedras
tem um buraco no céu
8.3.15
9.2.15
e a vida começou aqui
na beira do abismo
nosso frágil ponto de vista
olhares que voavam
perdidos
pousavam perdidos
não sei se cheguei
mas a vida começou aqui
em lugares onde qualquer
coisa
podia (não) acontecer
e (nunca) aconteceu
de qualquer
outro jeito que não imaginei
a vida começou
no vôo livre
no estalo ensurdecedor
das vontades sem grades
das doenças sem curas
dos esforços em vão
a vida começou
na lágrima que caiu sem
que eu soubesse a razão
no sorriso que saiu sem
que ninguém precisasse ver
aqui nesse limite
entre terra e céu
a vida começou sem querer
22.1.15
Assinar:
Comentários (Atom)