equilibrando-se.
chão é tudo aquilo
que tá debaixo da cabeça.
daqui, vejo que qualquer coisa pode acontecer.
pisando com sutil leveza.
e nós aqui. há nós aqui.
quando a gente caiu, sabia que
do chão não passaria.
fendas, pequenos espaços, fundos, sem fim.
ou o fim já é a cabeça do outro.
é fácil se perder entre as brechas.
dependendo do tamanho e do tempo que elas existem.
desde que a gente olhou pra baixo pela primeira vez,
ganhamos esse medo de altura.
a pergunta é por onde escapar, se tudo
é tão chão. tão reto.
mas chão tem vida.
caminho tem vida.
com muito chão, se constrói a distância.
pisar aqui é como colocar
um ponto final.
