20.12.13

como um sonho ruim

respirar só sim
likes selfies prozacs

respirar se não
dor de não saber

ser e nem ser
ter e perder
estar


like yourself

19.12.13

entre
o verbo e o verso
a sinceridade
o que vem do umbigo
e sai pro universo

vontade de verdade
vento de pulmão
querer e dizer
comunicação
palavra emana
dor de não saber
ser senão
ou nem ser
estar

tá tudo muito raso
vapor de água
dá e passa
soprar
pra sobrar
entre tanto falar


1.12.13

mar é mar

e o que será depois?

e qual sertão virá?
seu rosto no espelho
espremo
posto extremo oposto
estranhas pausas de tempo
dentro oco

seu gosto na pele
pelejo
mostro a parte oculta
a face falsa primeira
você não quer ver
vontade
vento de pulmão
verdade que dá e passa

viagem
te chama explosão
voltar não

voltagem
chama e combustão
voltar não
as cidades me machucam
machucam machucam
em pancadas e estalos
não amo o outro
lado-a-lado
com o outro
bate a assopra
assopra e bate mais
é a queda livre
é o coro grego
é o grito preso

as cidades me resolvem
resolvem resolvem
em soluços de susto
suspensos de dentro
transtornos dissonantes
de dentro
engole pra cuspir
cospe pra engolir
é a mastigação
é o tiro pela culatra
é a saída de emergência

as cidades me comovem
comovem comovem
em camadas gasosas
nos entres de sempre
contínuos distúrbios
de sempre
constrói pra destruir
destrói pra construir
é a dança do Sol
é o auto-sacrifício
é o teto preto

ela me divide
ela me comove
ela me machuca
ela me resolve
faz o teu
esquece quem não quer fazer
fato é que permanece
escuro
aquilo que pretendia esclarecer
mas pretensão pra quê?
a confusão é combustão
paixão e gasolina
infla
esvazia
acalma
alucina
explode feliz esse mundo
que o outro já quer nascer
umbigada bigbang

junho



é

muito motivo, parece

que faz girar o motor

tudo se move, se mexe




é

que faz sentido essa prece

vai transformar em tambor

a pele dura da pele




a gente ainda anda, bem ou mal

apesar de tudo

que tanto tenta fazer parar




as avenidas são as mesmas

e foi tão longo junho
o homem não suporta o mundo que o homem inventou
o homem não se importa muito
o homem fecha a porta mudo chama o elevador
o homem não quer ficar junto
o homem dorme bem profundo sem despertador
o homem não tem mais assunto

pela cabeça de pedra do homem

talvez saiam ideias suaves em tempos de guerra
e os deuses mentirosos
em seus barcos luxuosos se encontrem enfim com o mar
e a ciência vai inventar
tudo de novo, só que mais belo

nem um, nem outro

não te engano
nem te ganho
nem um, nem outro
não te escondo
nem te vendo
fujo e fico
triste nesse rio
vendo a peteca cair
no pitaco que ninguém dá
te vendo falir
no avanço que é avesso
te disfarçar de começo
te comer
e te cagar

5.9.13

a nuvem cinza
ainda vem às vezes
e pára sobre mim
insiste em me regar
até esvaziar-se
e virar sopro.
nem ligo mais

24.5.13

de corpo e alma

tô de braços abertos
tô de boca fechada
tô de olhos vidrados
tô de dedos cruzados
tô de mãos abanando
tô de queixo caído
tô de pés descalços
tô de cabeça quente
tô de pernas bambas
tô de alma lavada

16.4.13

bem-vindo

te culpam, bem-vindo.
pacote curto
nasceu,
já tem idade
pra ser penalizado
por tudo
que já veio e que tá vindo.
te recepcionam.
percebe mundo, bem-vindo.
cresceu,
já tem coragem
pra ser contrariado
e te prendem.
pequeno mudo,
berra sem voz.
se veio, bem-vindo.
já é mais um
pra ser humano
caindo
bem-
vindo.

9.4.13

tentativa

tenta
lenta e atenta
o talento tenta a dor

tentáculos de flor que brota
temas de sol
tem
mas acabou

sem óculos nem colírio
tenta
nem que só
letárgico martírio

tenta
ativa e atenta
o medo tenta a vida
paraquedo para
perereca peca
piripaque pague
pororoco pouco
purifico fico

7.4.13

vende se

cuidado, meu bem
eles estão vendendo tudo
não vende seus olhos
não vendo sentido
só vendo fiado, falido, fudido
só vendo pra crer
o preço do céu

3.4.13

a classe classifica o clássico classificado
a ordem ordena o ordenado sórdido
são seitas sentidas, intimadas e íntimas
não aceitas sem acenos
sinceros
de querer

13.1.13

a duas mãos

equilibrando-se.
chão é tudo aquilo
que tá debaixo da cabeça.
daqui, vejo que qualquer coisa pode acontecer.
pisando com sutil leveza.
e nós aqui. há nós aqui.
quando a gente caiu, sabia que
do chão não passaria.
fendas, pequenos espaços, fundos, sem fim.
ou o fim já é a cabeça do outro.
é fácil se perder entre as brechas.
dependendo do tamanho e do tempo que elas existem.
desde que a gente olhou pra baixo pela primeira vez,
ganhamos esse medo de altura.
a pergunta é por onde escapar, se tudo
é tão chão. tão reto.
mas chão tem vida.
caminho tem vida.
com muito chão, se constrói a distância.
pisar aqui é como colocar
um ponto final.