penso que o tempo é
aquela gaivota
voando sozinha sobre a Baía
eu poderia estar disponível
mas escolho a pausa
o ônibus que dá voltas
o vão central
a suspensão dos dias
de onde vêm esses navios
que aqui ancoram?
dormindo na água crespa
assistem, apenas
imóveis como as pedras
tem um buraco no céu
quandobrinca
8.3.15
9.2.15
e a vida começou aqui
na beira do abismo
nosso frágil ponto de vista
olhares que voavam
perdidos
pousavam perdidos
não sei se cheguei
mas a vida começou aqui
em lugares onde qualquer
coisa
podia (não) acontecer
e (nunca) aconteceu
de qualquer
outro jeito que não imaginei
a vida começou
no vôo livre
no estalo ensurdecedor
das vontades sem grades
das doenças sem curas
dos esforços em vão
a vida começou
na lágrima que caiu sem
que eu soubesse a razão
no sorriso que saiu sem
que ninguém precisasse ver
aqui nesse limite
entre terra e céu
a vida começou sem querer
22.1.15
19.12.14
eu vou mudar. não, não vou mudar. eu vou tentar. ousar. querer. eu vou querer sugar disso tudo o melhor e o pior. dessa maré sensível de água salgada de olho inquieto e alma molhada. desse rio de sangue - corre vivo e doído - de quem desistiu de esperar. dessa eu-mulher-cabra-flor-vaca-árvore-lua-terra-fêmea-fênix. eu não poderia ser poucas. ainda que seja outras, ainda que todas em mim. eu não saberia ser sempre. quem eu, ainda que seja eu. nem sempre quem eu gostaria de ser.
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